Três estratégias para experimentar desde já a carreira dos sonhos

Quando você percebe que precisa tomar certa atitude na sua vida, para a sua carreira ou vida pessoal, como costuma agir? Você passa meses planejando, mapeando os fatores envolvidos, estudando a sua decisão e planejando cada passo ou você simplesmente faz? De maneira geral, poderíamos dividir as pessoas nestes dois grupos: algumas são mais planejadoras e estudam a situação antes de tomar alguma ação, enquanto outras são executoras e querem agir logo.

Por outro lado, quando se trata de decisões mais importantes como uma escolha profissional, ou uma mudança de carreira, as pessoas tendem a ficar mais conservadoras. Afinal, os riscos são maiores. Você conhece alguém, por exemplo, que estuda um assunto ou trabalha em uma determinada área, mas que a paixão da pessoa está em outra atividade? Por exemplo, um estudante de design apaixonado por cantar, um profissional de TI que namora a ideia de estudar Psicologia ou um engenheiro que pensa em abrir um negócio próprio.

Algumas dessas pessoas se preparam muito: leem a respeito, fazem cursos para aprender mais sobre o do tema ou praticam como amadores. Essas pessoas sonham em trabalhar com aquela paixão e ensaiam para isso, mas o momento nunca parece bom o bastante: o mercado pode não estar muito receptivo, pode faltar tempo para se dedicar ou a pessoa pode não se sentir preparada o suficiente. Mas cuidado! Só planejar, se preparar e nunca executar com medo de dar errado, dá errado!

Quando se trata de construção de carreira, é FUNDAMENTAL experimentar. Ficar só no planejamento pode paralisar, e, quando você vê, viveu anos ou décadas deixando de molho aquele projeto especial, e estará com a pulga atrás da orelha imaginando como poderia ter sido sua vida.

Experimentando e colocando a mão na massa, podemos conhecer melhor a realidade daquele trabalho e identificar com muito mais rapidez e assertividade se nossa paixão permanece ou se nos iludimos e apenas idealizamos aquele trabalho. Experimentar rapidamente é a melhor maneira de testar outras possibilidades sem correr o risco de investir muito tempo, dinheiro e energia em um novo projeto para correr o risco de descobrir mais tarde que aquilo não era nada do que a gente pensava.

Vou mostrar agora 3 estratégias que, de acordo com Hermínia Ibarra, pesquisadora e professora da London Business School, podem ajudar você a entrar em contato com a realidade do trabalho dos seus sonhos sem arriscar a sua própria realidade 😉 Que tal?

  1. Pausa para experimentar (período sabático): se possível, você pode reservar um tempo para se focar na experimentação dessa nova carreira ou atividade. Pode ser planejando uma viagem, um intercâmbio ou até mesmo um período de férias maior para que você possa usar de uma maneira consciente para experimentar aquela nova profissão. Atenção: a intenção não é tirar férias para ficar ‘de boa’, refletindo. Estamos falando em equilibrar o planejamento abrindo espaço para mais execução. Então você pode se planejar e separar alguns meses ou semanas para fazer um trabalho voluntário, visitar empresas, profissionais ou instituições de referência naquilo que quer fazer, etc.
  2. Projetos paralelos (projetos de ramificação): aqui o foco é colocar em prática um projeto inicial que possa proporcionar uma noção mais realista do que é trabalhar com aquilo que você gostaria. Algo que você possa administrar em paralelo com sua carreira ou estudo atual. Você vai experimentar a nova realidade e, ao mesmo tempo, preparar o terreno para uma nova profissão. Por exemplo, alguém que se interessa por canto pode buscar outros músicos e fazer apresentações em festas na sua própria casa, depois se oferecer para tocar em algum bar nos dias em que não estiver trabalhando, preparar ensaios e assim começar a se familiarizar com a profissão. Alguém que se interessa por Psicologia Organizacional, por exemplo, poderia buscar algum projeto em interface com o RH da empresa, participar de uma empresa júnior, ou oferecer algum serviço para uma pessoa próxima que precisa desenvolver um treinamento, por exemplo. Nem sempre a alternativa vai estar evidente, então pense bastante e seja criativo!
  3. Pesquisa profissional (pesquisa conversacional): esta é uma alternativa mais light, mas que pode ser um bom começo. O objetivo é conversar com várias pessoas que tenham carreiras construídas na área que você deseja seguir. Entenda com elas qual o melhor e o pior aspecto daquele trabalho, qual conselho dariam para quem está começando, qual é o perfil do profissional que se dá bem e que gosta daquele trabalho. Mas atenção, não basta conversar com uma, duas ou três pessoas. Você precisa conversar com várias. Conversando com poucas, você corre o risco de ter uma visão que, na verdade, é individual e não representa o trabalho como um todo. Converse com, pelo menos, 5 pessoase veja o que esses relatos têm em comum.

Lembrando que não estou dizendo aqui que essa experimentação deve levá-lo a identificar qual é a carreira única e perfeita que você deve seguir para o resto da vida. Podemos ter várias carreiras durante a vida e realizar uma ou mais atividades profissionais ao mesmo tempo para atender as nossas diferentes necessidades e interesses, e nem todas nossas paixões precisam se tornar trabalho.

Algumas pessoas optam por fazer algo que para elas é apenas ‘ok’ para pagar as contas e garantir tempo para hobbies ou outras atividades que não dão dinheiro, mas que trazem a satisfação da qual precisam.  A verdade é que não há carreira que atenda a 100% das nossas necessidades e interesses; nós somos seres muito complexos e sempre precisaremos fazer alguma conciliação. Ainda assim, podemos estar sempre atentos a oportunidades para obter mais realização e prazer na nossa vida, e para isso é necessário experimentar e explorar, mesmo que com riscos calculados.

Então, qual das três opções acima você pode começar a experimentar para trazer aquele sonho mais para perto do seu presente?

Esperamos que este conteúdo tenha contribuído com a sua carreira.

Um grande abraço e uma ótima exploração!