Quando pensamos em capacidades pessoais, nosso mundo está acostumado a dar destaque àquilo que não fazemos bem. Por exemplo, nas escolas, os jovens fazem aulas de reforço das disciplinas em que não vão bem ou, nas empresas, os planos de desenvolvimento são construídos com base nas fraquezas do profissional. Muitos de nós, inclusive, vivemos uma tensão constante, imaginando que mais cedo ou mais tarde nossos pontos fracos nos darão uma “rasteira”.

Praticamente toda a pessoa de grande sucesso em sua respectiva área trabalhou fortemente para aprimorar e refinar aspectos para os quais já tinha certo talento ou que já lhe fossem atraentes. No processo ela teve que lidar com alguns pontos fracos ou superá-los, mas o que destaca cada uma dessas pessoas não é o ponto fraco “resolvido”, mas sim o ponto forte que ela lapidou e que a fez brilhar, tornando-a excelente naquilo que faz!

Por isso, é importante termos consciência clara dos nossos pontos fortes para podermos utilizá-los ativamente ao nosso favor, ao invés de “guardá-los no bolso” como algo que deve ser simplesmente admirado.

O que é um ponto forte?

Ponto forte quer dizer ter um desempenho estável e quase perfeito em determinada atividade. De acordo com Marcus Buckingham e Donald O. Clifton, os pontos fortes são compostos por três elementos:

  • Talento: é uma predisposição inata, uma tendência natural de gostar e saber fazer algo.
  • Conhecimento: são as teorias e informações que você adquire sobre um tema.
  • Técnica: são os métodos e ferramentas que você aprende e que ajudam você a realizar uma tarefa.

Para construir um ponto forte, é necessário ter talento e aprimorá-lo através da prática e da busca por conhecimentos e técnicas.

Por que tenho talento ou facilidade para algumas atividades e não para outras?

Todos os nossos talentos e atividades têm uma participação significativa do nosso cérebro. Aquilo que você faz com qualidade e naturalidade reflete uma organização neuronal que foi construída no seu sistema nervoso ao longo de sua vida até hoje. Sua genética, seus interesses, experiências e relacionamentos, em especial aqueles da sua infância, ajudaram a reforçar algumas conexões neuronais, enquanto outras conexões, por falta de uso, são desfeitas. Esse é um processo natural e cumpre uma função importante.

As conexões que foram mais reforçadas se mantêm e se fortalecem, tornando-se mais naturais e ajudando na constituição de seus pontos fortes.

Posso transformar um ponto fraco em um ponto forte?

É possível trabalhar um ponto fraco para aprimorá-lo. Isso, em geral, exige muito mais empenho do que trabalhar seus pontos fortes, além de um esforço consciente constante. Você pode se tornar bom na maioria das coisas às quais se dedica, mas, como explicado acima, ter um ponto forte significa ter um desempenho estável e quase perfeito em determinada atividade. Dificilmente alguém conseguirá transformar algo para o que não tem muito jeito ou não gosta em uma atividade que fique sempre excelente e terem prazer intrínseco nela. Quando trabalhamos nossos pontos fracos, mesmo que realizemos bem alguma coisa relacionada a ele, em geral precisamos desprender muito mais esforço consciente, ao contrário do que acontece quando usamos nossos talentos, que dão uma sensação de fluidez, naturalidade e leveza.

Devo focar em trabalhar meus pontos fracos ou em desenvolver meus pontos fortes?

Como seres humanos, nossos recursos são limitados. Temos obrigações que sugam nosso tempo, nossa energia se esgota depois de uma semana intensa de trabalho, e a grande maioria das pessoas não tem dinheiro de sobra. Quando trabalhamos com nossos pontos fortes, temos a oportunidade de fazer mais com menos. Novos conhecimentos e técnicas sobre esses talentos se encaixam com facilidade em nossa mente, nos sentimos muito mais motivados em aprender e fazer mais sobre esses temas, e nos aproximamos mais facilmente da excelência. Você pode investir em seus pontos fracos se quiser (e, no caso de algumas competências básicas, como organização e comunicação, isso pode até ser necessário), mas saiba que a melhoria virá mais devagar e que o caminho será mais desconfortável. Talvez você resolva um problema, mas provavelmente não vai se destacar por um ponto fraco que trabalhou. Esse é um caminho de pior relação custo benefício.

5.      Meus pontos fortes já me ajudam no meu dia a dia. Qual o sentido de buscar desenvolver algo em que já sou bom?

Com certeza você já colhe benefícios dos seus talentos. A boa notícia é que, além sentir prazer em usá-los, eles são muito mais elásticos. Ou seja, a nossa capacidade de alavancar pontos fortes é, em geral, muito maior do que a de alavancar os pontos fracos!

Quando falamos em desenvolver pontos fortes, a atitude precisa ser diferente. Não faz sentido que um bom comunicador busque cursos de oratória para pessoas tímidas para aprimorar a comunicação. Para desenvolver nossos pontos fortes, precisamos buscar o que existe de novo e de mais refinado na atividade que nos envolve. Somente ao fazer cursos avançados sobre aquele tema, pesquisar tópicos inovadores naquela área, trabalhar com quem está revolucionando aquela atividade ou seguir alguém que é referência naquilo é que estaremos trazendo nosso talento para perto da excelência!